Por EVAN RAMSTAD e JUNG-AH LEE, de Seul
A ascensão veloz da Samsung Electronics Co. no mercado de smartphones foi muito comentada ano passado. Mas a empresa está crescendo ainda mais rapidamente no mercado de processadores para os aparelhos, investindo num segmento desafiador e lucrativo da indústria de microchips.
Há muito tempo que a empresa sul-coreana é a maior fabricante de microchips do mundo, depois da Intel Corp., e usa seu poderio industrial para controlar cerca de 50% do mercado de chips de memória dos aparelhos. A Samsung é uma concorrente menor em processadores conhecidos como chips lógicos — o “cérebro” dos computadores e outros eletrônicos.
Mas na sexta-feira, quando a Samsung divulgar o resultado do quarto trimestre, é amplamente esperado que ela revele um plano de expansão para 2012 que pela primeira vez investe mais em chips lógicos que chips de memória.
Lee Jae-yun, analista da Kiwoom Securities, em Seul, diz esperar que a Samsung anuncie uma despesa de capital com chips de US$ 13,2 bilhões, dos quais US$ 7 bilhões seriam alocados para a produção de chips lógicos.
É uma mudança que reflete em boa parte a posição única da Samsung como criadora, fabricante e compradora de seus próprios chips lógicos, bem como de fabricante de chips sob contrato para concorrentes e outros clientes. Um exemplo disso é que a Samsung fabrica chips para o iPhone e o iPad, bem como os usados nos eletrônicos da Samsung que concorrem com os da Apple.
Há razões sólidas para o novo foco. O preço dos chips de memória é conhecido pela volatilidade e, apesar de sua posição dominante no mercado, a Samsung não tem conseguido lucros consistentes com eles.
As vendas de chip de memória da Samsung caíram quase 10% ano passado, para cerca de US$ 23 bilhões, enquanto as de chips lógicos subiram 70%, para cerca de US$ 10 bilhões. Isso significa que o negócio da Samsung com processadores lógicos está perto de alcançar o da Texas Instruments Inc. e da Qualcomm Inc. — fornecedores importantes de microchips para celular. Mas o negócio da Samsung ainda é menos de um quarto do da Intel, cujos processadores são usados na maioria dos PCs.
A ascensão da Samsung no mercado de chips lógicos está ocorrendo em circunstâncias que ela nunca tinha aproveitado antes: um mercado passando por uma mudança tecnológica e no qual ainda não se estabeleceu um líder.
A empresa usou o surgimento das câmeras digitais para conquistar a liderança do mercado das memórias flash que armazenam dados nesses eletrônicos. Ela esperava que a evolução das TVs de tubo de imagem para as de tela fina a ajudasse a roubar da Sony o posto de maior fabricante de TVs do mundo. E agora, a Samsung está usando a mudança para os smartphones como um meio de desafiar o domínio da Nokia Corp. como maior fabricante mundial de celulares.
A Samsung não quis comentar a importância de suas operações de chips lógicos.
Analistas dizem que o principal desafio da Samsung é diferenciar os chips lógicos que fabrica dos oferecidos por empresas já estabelecidas no mercado. Uma maneira de fazer isso é acrescentar recursos de memória, algo que a Samsung já fez nos processadores que usa em seus próprios smartphones.
E já surgiram sinais de que a empresa está incrementando sua capacidade de desenho industrial. A empresa abriu em 2010 um centro de pesquisa e desenvolvimento em Austin, no Texas, que emprega atualmente mais de 100 pessoas. Ele é comandado por Keith Hawkins, um especialista em processadores com larga experiência na Advanced Micro Devices Inc. Mais de seis outros engenheiros da AMD também foram trabalhar para a Samsung no último ano, segundo perfis no site de contato profissional LinkedIn.


