Por DHANYA ANN THOPPIL, AMOL SHARMA e JESSICA E. LESSIN
A Apple Inc.
está fazendo uma reestruturação geral nas suas operações do iPhone na Ãndia, um mercado crucial para a empresa. Para tentar reduzir o domÃnio da Samsung Electronics Co.,
ela vem buscando adaptar-se à s normas de varejo do paÃs e ao seu complexo processo de distribuição.
Mas a empresa de Cupertino, na Califórnia, ainda tem muita batalha pela frente.
O assunto é de máxima importância agora que o crescimento da Apple está diminuindo nos Estados Unidos e em outros mercados maduros. Este ano, a Ãndia deve tornar-se o terceiro maior mercado mundial de smartphones, logo atrás da China e dos EUA, segundo a firma de pesquisas Strategy Analytics.
A Apple está contornando as operadoras de telefonia para ganhar mais controle sobre suas atividades na Ãndia, e oferecendo empréstimos sem juros para atrair os consumidores de baixa renda. Nos últimos seis meses, ela também aumentou a equipe na Ãndia em 30%, para 170 funcionários. E está acelerando a introdução de outros produtos, com a Apple TV, aparelho para recepção de vÃdeo via internet, esperado nas lojas já nas próximas semanas, segundo pessoas a par do assunto.
O resultado é que a Apple vendeu mais de 252.000 iPhones na Ãndia no trimestre até dezembro â mais que o triplo do total dos três meses anteriores, segundo a firma de pesquisas Canalys.
Mesmo assim, a Apple responde por apenas 5% das vendas de smartphones na Ãndia, em comparação com 40% da Samsung, a lÃder do mercado. A fabricante sul-coreana ganhou a dianteira fazendo da Ãndia um mercado de alta prioridade antes da Apple, e oferecendo uma gama de smartphones baseados no software Android da Google Inc.,
com preços que começam em apenas US$ 100. Um iPhone da geração mais velha custa cerca de US$ 500, e a versão mais básica do modelo mais recente custa US$ 850.
“A Apple ainda está na faixa mais cara, fora do alcance do consumidor médio”, diz Neil Shah, analista sênior da Strategy Analytics. A maioria dos 865 milhões de usuários indianos de telefonia sem fio ainda usa celulares de baixo custo e as operadoras do paÃs não subsidiam a compra de smartphones, como é feito em outros paÃses.
Na Ãndia, a Apple não tem permissão para abrir suas próprias lojas, nem de vender diretamente seus iPhones on-line.
A Ãndia era um paÃs especial para Steve Jobs, o cofundador da Apple. Aos 19 anos de idade ele passou sete meses no paÃs em uma jornada de busca espiritual, segundo a biografia “Steve Jobs”, de Walter Isaacson.
Apesar desse afeto pela Ãndia, a Apple fez progressos lentos no paÃs, enquanto investia pesado em outros mercados emergentes. No ano passado, as vendas de 1,4 milhão de iPhones no Brasil e de 19,6 milhões de unidades na China deixaram muito atrás os 460.000 vendidos na Ãndia, segundo a Canalys.
Tim Cook, o diretor-presidente, culpou as redes de distribuição da Ãndia, muito confusas. As operadoras de celular em geral não têm suas próprias lojas.
No paÃs, dispositivos móveis normalmente passam por diversos canais â operadoras, distribuidores nacionais e locais e lojinhas de varejo â até chegar ao consumidor.
“A distribuição em várias camadas realmente aumenta o custo de levar os produtos ao mercado”, disse Cook a analistas, em meados do ano passado.
Para o fim de 2012, a Apple reagiu fazendo uma reforma total em sua distribuição. Em vez de passar pelas operadoras, a empresa começou a trabalhar diretamente com dois distribuidores nacionais. A Apple agora controla rigidamente todos os aspectos da publicidade, a quantidade de estoque que entra no paÃs, quais cidades serão suas metas e quando atingi-las, disse uma pessoa a par da estratégia da empresa.
A Ãndia continua colocando obstáculos no caminho. A Apple ainda não conseguiu abrir no paÃs as lojas que são sua marca registrada, devido à exigência de que os varejistas estrangeiros comprem 30% do valor de suas vendas na Ãndia de fornecedores domésticos â algo impossÃvel de se fazer em um paÃs onde não há praticamente nenhuma produção de eletrônicos.
O governo indiano explica que quer incentivar o investimento estrangeiro e que a exigência de aquisições no paÃs é uma condição razoável que vai ajudar a desenvolver a indústria nacional.
A Apple vende na Ãndia através de umas 2.000 lojinhas de propriedade particular e 65 “lojas da Apple” franqueadas, em shoppings e outros locais sofisticados. A empresa vem conversando com o governo sobre um relaxamento nas restrições que a impedem de vender on-line, segundo uma autoridade indiana.
Agora que aparelhos de rivais como a Samsung vêm ganhando força nos mercados emergentes, a Apple está repensando a sua estratégia padronizada de preços para todos os mercados. Recentemente, a empresa lançou um plano que permite aos clientes indianos pagar pelo iPhone em parcelas sem juros. A Apple também está desenvolvendo um iPhone menos caro.


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